Recentemente, o mundo ficou em choque com a notícia de que a Catedral de Notre-Dame, um dos maiores símbolos de Paris e da França, fora atingida por um incêndio de grandes proporções. Imagens da cena trágica não demoraram a tomar as redes sociais e, tanto a partir delas quanto de informações divulgadas por autoridades locais, ficou claro que a destruição causada pelas chamas seria imensa.

Por Notre-Dame ser lar de inúmeras obras de arte e um patrimônio histórico, cultural e religioso inestimável, a tragédia gerou uma onda de ajuda e, conforme passou a se falar em reconstruir a famosa catedral, diversos artistas, instituições e bilionários decidiram contribuir com doações para reerguê-la – e, entre eles, está a brasileira Lily Safra, uma das viúvas mais ricas do mundo.

De acordo com informações da agência de notícias francesa AFP, Lily anunciou, uma doação de 10 milhões de euros (o equivalente a cerca de R$ 44,3 milhões) para ajudar na reconstrução da catedral e, por trás da bela atitude da viúva de Edmond Safra, fundador do Banco Safra, há uma história marcada tanto por riqueza quanto por acontecimentos trágicos.

Quem é Lily Safra?

Filha de imigrantes russos, Lily nasceu no Rio Grande do Sul em 1934 e, ainda bem novinha, conheceu aquele que seria seu primeiro marido. Aos 19 anos, ela se casou com o empresário argentino do ramo têxtil Mario Cohen e teve três filhos, Claudio, Adriana e Eduardo. Já em meados dos anos 60, ela passou pelo primeiro de seus três divórcios e, no Rio, conheceu Alfredo Monteverde, fundador do Ponto Frio.

Juntos e donos de uma enorme fortuna trazida pelo sucesso da marca, Lily e Alfredo adotaram seu único filho, Carlos, que criavam em uma enorme mansão no Rio de Janeiro – mas a união não durou muito. Isso porque, em 1969, o empresário foi encontrado morto em casa após, conforme apontaram as autoridades, cometer suicídio. Neste cenário, Lily e Carlos herdaram boa parte das ações do Ponto Frio e continuaram vivendo em meio a muito luxo.

Pouco tempo depois, na Europa, Lily conheceu o banqueiro libanês Edmond Safra, que, naturalizado como brasileiro, fundou o Banco Safra no país e construiu uma enorme fortuna. Em 1976, Lily e Edmond se casaram – algo que a fez entrar de vez para a alta sociedade e ser uma bilionária internacionalmente conhecida – e, juntos, colecionaram propriedades impressionantes pelo mundo.

Durante os 23 anos em que estiveram juntos, os dois adquiriram residências em Nova York, Paris, Genebra e Mônaco, além de terem se tornado também donos da famosa Villa Leopolda, mansão no sul da França que é, hoje, considerada a segunda mais cara do mundo. Em 1989, porém, o luto voltou a tomar conta da vida de Lily quando Claudio, um dos filhos de seu primeiro casamento, morreu em um acidente de carro no Brasil junto do neto da bilionária.

Quase uma década depois, ao final dos anos 90, Edmond – que, na época, tinha uma fortuna estimada em US$ 3 bilhões – revelou publicamente ser portador de Parkinson e, já com muitas dificuldades devido à doença, foi com a família passar um fim de ano no apartamento de Mônaco.

Lá, porém, ocorreu outra das muitas tragédias que marcaram a vida de Lily; quando um incêndio atingiu a residência do casal, Edmond se abrigou em seu banheiro e acabou morrendo asfixiado pela fumaça aos 67 anos.

Pouco tempo depois, um dos enfermeiros que se revezavam para cuidar do banqueiro confessou ter ateado fogo a uma lixeira buscando “salvá-lo” para ganhar dinheiro – algo que não conseguiu fazer após Edmond se trancar no cômodo onde morreu.

Depois de perder seu último marido, Lily se recolheu, vendendo ou leiloando alguns dos muitos bens do casal e dedicando-se à filantropia – algo de que Edmond era adepto – com uma fortuna estimada pela “Forbes” em US$ 1,3 bilhões.

Fonte: Vix